
@eusouohideki
Nascido e criado em Curitiba/PR, Fernando Hideki Pucci Onuki é um mestiço ítalo-oriental que cresceu ouvindo muita MPB, bossa-nova e samba em churrascos de família e amigos de seu pai, seu Akira, que sempre tocou e cantou clássicos brasileiros em seu violão Di Giorgio enquanto sua mãe, Telma, arrancava gargalhadas a sua volta com seu humor espontâneo e inesperado. Desde pequeno visitava sua família por parte de mãe em São Paulo em datas festivas na Vila Gomes, bairro simples em que moravam suas várias tias com suas respectivas crias de toda cor e idade – sempre sofrendo bullying por falar "piá" e gírias curitibanas do tipo – aprendendo a filtrar sua fala dependendo do contexto local desde então.
Seus pais se conheceram em Bauru em um evento festivo da maior sede brasileira da Igreja Tenrikyo, uma religião japonesa relativamente nova e similar a Cristã, onde temos uma figura feminina que chamamos de "Oyassama", a "Mãe de Todos", uma mulher que recebeu os ensinamentos de Deus-Parens e viveu uma vida exemplo propagando seus hinos, cantos, cerimônias e rituais por toda a sua existência, atraindo seguidores no mundo todo que buscam uma felicidade plena de alegria.
Dona Arminda, mãe de seu pai, encontrou nessa religião um refúgio para seu, vamos dizer, desequilíbrio espiritual. Criou sua própria pequena igreja em volta de uma imagem que surgiu na parede de casa e dedicou toda a sua vida recebendo pessoas adoecidas e também outras que buscavam se comunicar com seus entes falecidos, afinal, Dona Arminda também psicografava, transcrevendo textos de olhos fechados por suas mãos, além de ter contato com os denominados por ela de "Médicos do Espaço", entidades que forneciam cura para as pessoas que ali estavam. Dona Arminda e Seu Yokio nos deixaram há poucos anos, e Akira segue mantendo as missas de 4º sábado de todo mês. Hideki não segue mais a religião por questões pessoais, mas tem muita vontade de transformar isso em um documentário, principalmente por conta de Dona Arminda.
Como falar de si mesmo em terceira pessoa é estranhíssimo, mudarei a rota a seguir:
Meus primeiros dedilhados dedicados desajeitados foram dados em uma escola extra-curricular para jovens estudantes locais chamada ARIGAF onde, além da música, também aprendi inglês, informática, artes plásticas, natação, filosofia, entre outras atividades que somaram muito com o meu desenvolvimento em diversas áreas. Com o aumento de interesse em guitarra e violão, fui atrás de um antigo vizinho chamado Hênio, onde recebi aulas teóricas e práticas de guitarra em um simples quarto com cheiro fortíssimo de colônia com tons amadeirados de gosto duvidoso, insistindo em aprender as músicas que mais queria, que eram "Oye Como Va" de Carlos Santana e "One Last Breath" do Creed. Hits da época. Na minha cabeça eram...
Aos 13 anos, fiz minha primeira participação musical no colégio Divina Providência com a banda dos "piás" mais velhos em um dia de festividade religioso – sendo que a escola era católica e eu não era – fingi que estava entendendo o que estava acontecendo enquanto também fingia dominar o instrumento.
Além da música, o esporte sempre me pegou muito - apesar da barriguinha. Pratiquei muitos anos de Karatê Shotokan, onde aprendi muito sobre disciplina, filosofia e noção corporal, auto controle e respeito pelo local onde estou pisando. Muita corrida descalço no asfalto, soco sem luva em Makiwara (ripa de madeira de treino) e pagando flexão para qualquer deslize. Cheguei na faixa Roxa, simplesmente faltando duas faixas para a preta - o que me deixa frustrado até hoje. Tentei voltar algumas vezes nos anos seguintes, mas meu Sensei parou de dar aula. Então, fui até a escola do Sensei do meu Sensei, onde seu filho – várias vezes campeão brasileiro – treinava. Os treinos de sábado de manhã eram intensos. Uma lembrança era um treino onde todo graduado acima da faixa Roxa ficava de mãos para trás na parede enquanto uma fila passava dando Mawashi Geri (chute lateral na altura do estômago) em todo mundo. Em um desses treinos, me estranhei com outro faixa preta em um treino de Kumite (luta/sombrinha) e nunca mais voltei.
O futebol também teve seu grande espaço na minha vida. Fiz escolinha de society, participei de times de futsal como zagueiro e, principalmente, goleiro. Uma relação de amor e ódio, pois minha lateralidade não me deixava me jogar para meu lado direito. Quem sabia disso tirava muito proveito.
Tive meus momentos de brilhinho. Poucos, mas tive.